domingo, 8 de janeiro de 2012

Dominich saiu para andar

        


        Aristides saiu para andar, refletir. Estava nestes últimos meses sentindo-se um velho, acabrunhado, medroso até! Aumentavam suas indagações a respeito de tudo e de todos, e as mínimas coisas ou situações, o irritavam com facilidade; discutia com pessoas conhecidas e desconhecidas, com os colegas de trabalho, com seu chefe, com os porteiros, cobradores de ônibus, garçons e,  constantemente,  com os jornais e  o noticiário da TV. Tudo o revoltava e parecia que o inquiria a dar opiniões, mas como dar opiniões se poucos se prestavam a ouvir?  E mesmo esses poucos, não debatiam com firmeza, não provocavam eco para uma boa discussão, eram paredes, sem opiniões, sem distinções entre o credo e o crível. Não duvidavam das “verdades” publicadas. Fazer o que? Começou a se dar conta que era um chato, daqueles que ninguém quer por perto. Coisas da idade? Refletia sobre isto em seu horário de almoço, andando.
        Parou na banca para ler as manchetes, e quando se deu conta, estava esbravejando impropérios a esmo: contra o governo estadual, contra os aumentos, bandalheira, E.U.A, Europa e Iraque. Até sobre o Afeganistão deu os seus pitacos.
        Lia tudo o que lhe passasse diante dos olhos ou que lhe caísse nas mãos. Por que então não tirar conclusões, ter as suas próprias idéias? Ainda discursava a meio tom, porém sem ninguém ao lado, quando se sentiu imprensado contra a banca de jornais: uma passeata numerosa vinha pela rua e,  o empurra empurra começava a se formar. Ficou no seu canto, não sem antes esbravejar, para quem pudesse e quisesse ouvir, do absurdo das passeatas em horário tão cedo, atrapalhando o transito, atrapalhando o dia a dia das pessoas. Aquele transtorno envolveria todo o mundo, atrasando e dificultando a todos o vai e vem do centro da cidade. Mal acabara de alardear sua opinião ( não pedida por ninguém, deixa-se isto claro ),  observou uma equipe de TV se encaminhando para onde ele estava, e dela vinham olhares para ele. Estremeceu de nervoso ante a possibilidade de ter que dar uma entrevista. Falaria do que, sobre o que? Polidamente o repórter perguntou-lhe sobre a possibilidade de conceder a entrevista, acalmaram-no quanto ao teor das perguntas e quanto a possíveis erros, não sem antes anotarem seus dados. Alguém contou: “- 4, 3, 2,1 ! ao vivo”! Aquilo o fez gelar. “– O Sr. Considera o propósito desta passeata justo ou injusto?”

        Aristides fez aquela cara de “me gela”, recorreu a Santo Antonio e a mais uma dúzia e meia de santos que lhe passavam pela cabeça, sem saber o que responder. Logo ele, discutidor nato, observador atento. Mas aconteceu que, de canto de olho, deparou com um cartaz portado por alguém da passeata que dizia: “Viva Dominich Doiatzvoski” Aquilo foi como que um tiro no estomago, o destrancar da fechadura! Desatou o nó que prendia a sua língua, e num desatino só, começou a enumerar as peripécias que um pobre cidadão é obrigado a enfrentar para chegar à cidade e em seu emprego, para dali tirar o seus minguados caraminguás; este pobre cidadão então,  se depara com aquela manifestação a favor de Dominich. “ – Mas, ora, quem é DominichDominich que vá a merda!” soltou, sem dar tempo do repórter cortar, ou de alguém interferir no som, que foi ao “ar” na TV. Claro que abruptamente encerrou-se a entrevista, mas ele gostou. Repetiu ainda umas duas vezes “ Domenich que vá a merda!” Afinal quem seria Dominich? Perguntou a alguns retardatários quanto ao personagem, mas até eles se abstiveram: “ - Não sei, quem?”  Então para que seguiam, o que seguiam e o que reivindicavam? Cada um falava por si, protestava ao seu modo,  em seu mundo? "- Ah! É contra o Ministro Falácio Destrouba, disseram os últimos dos últimos da passeata!" " - Quem?"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Copacabana e o Ano Novo

                             foto Amilson Ferrari


-Não acredito....
- Te juro...
- Não acredito, como é que pode? E o tão propalado caos aeronáutico, e a incapacidade aeroportuária,  a falência das agências controladoras, a desorganização do metrô? Como é que você consegue sair de Buenos Aires no dia 31/12/2012, no voo das 14:45 hs, sendo que às 15:05 hs você ainda estava a caminho da plataforma de embarque, e chegar em Copacabana às 22:00 hs, a tempo de festejar o Ano Novo?Como?
- Pois é...ainda passei em casa...
- Coisas estranhas acontecem neste país; aeroportos, metrô, táxis funcionando; 1 milhão de pessoas, milhares de guarda chuvas, tudo e todos com ótimo comportamento e  funcionamento excelente: PMs solícitos, guardas municipais que além de solícitos, estavam munidos de mapas para o auxilio à turistas, risos mil, tranquilidade dez...Mas eu me confesso, me molhei e me esgotei demais, além de não poder contar tanto com esta sua sorte. Ano que vem eu fico em casa mesmo....ou em Buenos Aires.

        Feliz 2012, de novo, novamente!