sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Minha atrasada carta de devotamento, reconhecimento e amor .

       
Foto: Amilson Ferrari ( A musa e o por do sol  - Rio das Ostras, em um mes qualquer, lindo.)   


     Entusiasmado! É como tenho me sentido; são os anos que juntos vivemos. Minha essência se acelerou, e reflito: somente estando com você  eu poderia classificar assim o que vivo hoje. Você é rápida, dinâmica, e me puxa. Puxa vida! As vezes me sinto cansado, mas logo você me destranca, e me puxa, me puxa para vida!
         A vida; vejo-a com maior rigor, sinto-a profundamente e posso hoje em dia dizer: são os melhores dias, até aqui, da minha vida.
        Ser um bom homem, prometi a você. Consegui? Sou? Sou nada! Sou uma criança grande, pesada. Mas pouco a pouco melhoro, visto os anos passados ao teu lado. Pensava em almejar riquezas, era meio que encantado, servil de sonhos ralos, com sede em desertos áridos. Hoje tenho a mesma sede, mas procuro água em boas fontes, e o futuro contigo. E és mais bonita do que em todos os meus sonhos, havia sonhado! Doçura de boca e paixão,  e nas incontáveis provas de amor que recebo; posso sentir o quão alto ainda irão, as asas desta nossa paixão.
        Nossa calma e nosso atrito andam juntos, claro! Mas que se isto espalhe então: esta é a magia que conta: o amor. Por mais que nos afastemos, por menos que provoque dor, estamos sintonizados, juntos, com medos e receios. Gostaria de te ver sorrindo, a mais não poder. Mas gostaria do riso perdido, dor sem   aflição, sem o dolorido viver, ontem, hoje e amanhã, em um  saborear de sua presença. Em cada dia, em cada minuto, agradeço, e muito, contar com você em minha vida.
        Parabéns a você, minha mulher, e para todas as outras mulheres. Mas por este dia? Dia das crianças, seus filhos, e que tal eu? Não o sou? Trocamos mil beijos, beijinhos, beijaços e beijões! Cuidamos ambos de nós, cruzando cuidados, sentido as dores um do outro, dores geradas, ingratas ou até desconhecidas. Procuramos constantemente a presença um do outro, quer pelo telefone, quer pelo e-mail. Procuramos unidos o equilíbrio do sonho e do sono, do despertar, e dos pesadelos. Marido e mulher, irmãos, pai e mãe, somos constantes.
         Minha gratidão aos sonhos, realizações, amor, carinho, sexo, e todo o mais que nós homens/crianças obtemos. Às mães, que por certo e por sina, nos ajudam a idealizar, moldar, determinar e lapidar nossa escolhida: parabéns!  Por tudo, tudo, tudo que você fez e faz, mesmo com as dificuldades pelas quais passou e passa: meus parabéns! Sou uma criança/homem feliz! E nominando: obrigado Cida, por estar por aqui, comigo.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cartas IV - Saudades


        

        Pedi, lhe implorei, exigi com toda a minha seriedade e firmeza possíveis, para logo depois, chorando, desmoronar “ - me dá!”
        Você ria, e ria muito, mas eu não sabia de que!  Você não ria de mim, ria da minha seriedade, do cômico que era aquela seriedade.  Logo depois, me dei por vencido, pois seus dedos me apertavam todo o corpo, braços  e suvacos, e sua boca me cobria com mil sussurros e beijos. E rimos juntos a mais não poder.  Seguiu-se um pequeno silêncio e,  sem que eu esperasse, você me deu um abraço, um abraço daqueles grandes, enormes e duradouros.  Eu era uma criança, pequena, mas ainda te sinto me envolvendo, me apertando.  Quantas saudades mãe.


domingo, 15 de abril de 2012

A morte em vida, é uma vida de morte.

     
     *  Morreu! P@#@$, e não me pagou! Ou seja, morto não leva tesouros, mas também não leva dívidas. Dever é a morte de todos os dias....
       
        *  Desconfiou da vida, a vida desconfia do desconfiado, e leva, pois a morte não desconfia, enfia no coitado.

       *  Em todo o lugar vive-se e morre, mas no hospital, isto é levado muito a sério. Quando tem fila, não tem médico, quando tem médico, não tem remédio. Sério! Tem-se que ter saco, e uma saúde de ferro!

      *  Viver é morrer um pouquinho a cada manhã. A noite, dormir, que amanhã esse pouquinho é certo.
       
      *  Viver é desperdiçar o tempo em tentar evidenciar a todos a sua alegria em viver, e poucos prestam atenção.
 
      *  Morrer é fechar os olhos ao gostoso  do dia a dia, e viver perseguindo o que não se levará, quando a morte te visitar.

      *  Morrer é todo o dia, viver é cada minuto, olho para o céu e pergunto:  - Quando é que morrerei? – De pronto ecoa uma voz: amanhã! - Amanhã? Amanhã é cedo! Desconfio dessa urgência, por que não na terça, ou melhor, na quinta, até lá dará para viver mais um pouco. Adie então sua vinda!
        Ao que replica a voz, com extrema seriedade,  indicando ao apelante, sua falta de sorte:  - Se não viveu bem até hoje, melhor é te levar agora, para não calhar que, por algumas horas já perdidas, aprenda a gostar desta vida, só por que tens medo da morte!

       *  Morrer depressivo é triste....Viver depressivo é a morte.

      *  Triste é viver se achando, ou ser encontrado morto?
       
       
      *  Quando se deita para sempre, o rosto muda. As chapinhas perdem o efeito, o anti rugas enruga, a lingerie não combina, as próteses dentárias,  mamárias, oculares, ortopédicas, penianas, capilares, siliconadas, emborrachadas, parafusadas, pinadas,  enxertadas e muitas vezes ainda não pagas, também morrem. Se perde  tudo, e nada vai para o brechó! No brechó, algumas mobílias e apetrechos ainda se sobre utilizam, mas as próteses morrem com os seus donos. Do morto, nada se aproveita.

      *  Morrer é a chance de se ver o que tem do outro lado, e quando se sabe, é a morte não poder vir contar a ninguém!
       
      *  Morre, morre, morre... disse o velho modorrento para a mosca irritante, e ela continuou vivendo, apesar das ameaças do claudicante.
           O esforço, porém, não o poupou. Acharam-no caído, com várias meias palavras travadas entre a dentiça e o assoalho. Quando a abriram, saiu-lhe novamente a voz: morre, morre, morre... obcecado este coitado!

      * Viver é estar do lado dos vivos, enaltecendo os mortos. Morrer é ficar assombrando os vivos, mesmo sem querer, por que vivo adora um morto. Vai entender....  

      *  A morte esta bem aqui ao lado, fingindo que não te quer. E você sabendo da sua presença, finge que ela hoje não vem. Ambos se conhecem, como quem!  Um protagonista, o outro, arte finalista. Mas estabilidade no emprego, só a morte tem.
       

      *  A morte é sempre estúpida, mas é uma visão de quem vive.  A morte é o rejuvenescimento das espécies, o ponto final das inquietudes, o manejo sustentável da natureza aflita, a fim de preservar a vida.


      * “ Viva!”  dizem os espectadores. “Morte!” dizem os espectadores. Uns no teatro de luxo, outros no Coliseu de Roma. A cada público, após a faina, um palco distinto ou um circo de lona.  

      *  Era uma celebridade em vida. Lugares, cidades, hotéis e bares que freqüentava viravam moda e lotavam. Suas roupas, adereços e estilo ditavam a moda, copiados à exaustão. Até as pegadas eram conferidas, medidas, gravadas e louvadas. Quando morreu, era como se continuasse viva. Continuou celebridade, continuou sendo seguida, ditando moda, e lotando os lugares. A única diferença é que faturava muito mais.

       

        “ - Disse Jesus: um homem rico tinha muitos bens. E disse: vou aproveitar os meus bens; vou semear, plantar, colher e encher os meus armazéns, a ponto de não ter falta de nada. Foi isso que ele pensou em seu coração. E nessa noite e ele morreu. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
                                 
                                                “ Jesus Cristo, evangelho segundo Tomé”

segunda-feira, 5 de março de 2012

Breve diálogo entre um crente e um anjo diligente

       

       - E aí, rapaz? O que tens feito, ô sujeito? Você aí mesmo, vestido de terno, pulseira de ouro, relógio moderno, carteira recheada, sorriso eterno.

        - Ah! Eu? Tenho lutado em lutas desiguais. Vencido e perdido batalhas, sofrido agruras, achado tempo onde o tempo dizia não caber, e preenchido com trabalho árduo os segundos vazios entre a obrigação e o prazer! Enfrentado feras travestidas de homens, mas sempre pautado pelo dever e o devido, polido e educado, de bom gosto e bom tino. 

        - Ah! Que bom, bonito mesmo! Mas vem comigo. E já venha pelado, descascado e solto. Deixa o dinheiro, o carro, a casa e nu o dorso, as costas preparadas, pois o que plantastes em vida, vais agora colher em dobro!

        - Mas pera lá! Que isso? Quem é você, e de onde vens? Por que mereço isto, e por que falas assim, empertigado e altivo, determinando meu currículo, me tratando com desdém?

        - Tenho estado ao teu lado e caminhado contigo. Fui destacado a ser teu braço, fornecendo amparo e juízo. Condenado tua má conduta, sendo ignorado em meus apelos. Avisei em sonhos das injustiças que cometias, alardeei aos berros teus erros. Tracei os caminhos perfeitos que farias, mas não seguiste nenhuma boa doutrina, mesmo em meus loquazes apelos.Quem sabe agora, debaixo de uma boa cilha, não abre a alma e vomita, seus supérfluos anseios?

        - Vivi no luxo? Má conduta, injustiças? Acaso sou acusado de forjar minha desdita? Ou fui eleito o verdugo das castas inferiores? Sabes o quão duro foi minha vida. Se estavas ao meu lado, vistes tudo que passei e sofri. Onde estavas quando eu perdia pai e mãe ainda meninote? E quando implorava por um pedaço de pão, leite um pouco, onde estavas, nobre ancião rancoroso?  E após dias em um trabalho árduo, ainda tinha que pedir o que me deviam, um pequeno salário atarracado! Fostes meu braço? Meus braços são estes aqui, que levantaram pesos sem medida, agrediram e me defenderam nas lidas. Que caminhos perfeitos são estes de que falas, que prometestes sei lá a quem? Pois a mim foram dadas escaladas, morros íngremes e ariscos. E das doutrinas que li e ouvi, pensando bem, a melhor aplicada foi a que eu próprio escrevi. Toma aqui meu lombo, me toma como exemplo, se é que assim se fará justiça. Mas imploro aqui e agora misericórdia divina, pois tudo o que eu fiz em vida, foi somente o que dela aprendi!

        - Não retiro uma vírgula do que eu disse, pois alguns de seus pares viveram piores condições que as tuas, mas se não foram consagrados santos, ao menos aguçaram os tinos, transbordaram valores em seus lares, abandonaram os danos e os vícios. Apelas ao senhor? Pois ele com certeza te ouvirá. Está retirado o teu castigo e os maus tratos. A pena tratada fica tolhida. Mas terás que vir comigo. O momento é de jazer, e finda o prazo desta lida. A hora de partir é esta, e nesta hora nem ele apita, nem o prazo se estica, nem a sábia misericórdia divina concede, mais tempo em sua vida.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Concordo! Pero que....!

        

        Concordo. Eu já disse, eu concordo. Connncorrrdooo! Sem problemas. É claro! Sem problemas. Não desconfie, sem essa! Não desconfie, para com isto! É claro que sim, eu farei. Farei exatamente do jeito que eu sempre fiz. Não? Tá bom. Então farei exatamente do jeito que VOCÊ quiser que eu faça. Não? Mas como? Então tá., Farei exatamente conforme combinamos em nosso acordo! Está bom assim? Você não concordou? Mas como é que eu digo então? Ah! Farei como é o certo! O que é o certo? Mas...mas...Tá bom. Farei exatamente como é o seu certo. Sem tirar uma letra ou acento. Não tem acento? Tem, tem sim. É, é com acento. Foi para mexer com você, não liga. Farei, o importante é que farei. Juro! Juro pela minha mãe mortinha. Mãe não vale? nem mãe já morta? Mas então eu juro por mim, pronto! Não acredita? Mas peraí, quantas vezes eu já jurei assim e não cumpri?  Nunca, não é? Eu concordo, farei o certo, que mais, meu Deus do céu, o que mais? Nunca comentar? Ok! Não comento. Com ninguém. Nem jogar na cara do outro, Ok! Não reacenderei esta chama, fogo, sei lá. Retiro o fogo, a chama, Ok! Tá retirado. Sem discórdia.Agora que eu concordei, que jurei, que combinei tudo, tudinho e, que esta tudo resolvido, meu amor, amorzinho meu, pode me devolver o controle remoto? Por favor? Por favor eu pedi lá trás e não adiantou! Não é por favor que se diz...? Ai meu Deus, lá vamos nós de novo....



domingo, 8 de janeiro de 2012

Dominich saiu para andar

        


        Aristides saiu para andar, refletir. Estava nestes últimos meses sentindo-se um velho, acabrunhado, medroso até! Aumentavam suas indagações a respeito de tudo e de todos, e as mínimas coisas ou situações, o irritavam com facilidade; discutia com pessoas conhecidas e desconhecidas, com os colegas de trabalho, com seu chefe, com os porteiros, cobradores de ônibus, garçons e,  constantemente,  com os jornais e  o noticiário da TV. Tudo o revoltava e parecia que o inquiria a dar opiniões, mas como dar opiniões se poucos se prestavam a ouvir?  E mesmo esses poucos, não debatiam com firmeza, não provocavam eco para uma boa discussão, eram paredes, sem opiniões, sem distinções entre o credo e o crível. Não duvidavam das “verdades” publicadas. Fazer o que? Começou a se dar conta que era um chato, daqueles que ninguém quer por perto. Coisas da idade? Refletia sobre isto em seu horário de almoço, andando.
        Parou na banca para ler as manchetes, e quando se deu conta, estava esbravejando impropérios a esmo: contra o governo estadual, contra os aumentos, bandalheira, E.U.A, Europa e Iraque. Até sobre o Afeganistão deu os seus pitacos.
        Lia tudo o que lhe passasse diante dos olhos ou que lhe caísse nas mãos. Por que então não tirar conclusões, ter as suas próprias idéias? Ainda discursava a meio tom, porém sem ninguém ao lado, quando se sentiu imprensado contra a banca de jornais: uma passeata numerosa vinha pela rua e,  o empurra empurra começava a se formar. Ficou no seu canto, não sem antes esbravejar, para quem pudesse e quisesse ouvir, do absurdo das passeatas em horário tão cedo, atrapalhando o transito, atrapalhando o dia a dia das pessoas. Aquele transtorno envolveria todo o mundo, atrasando e dificultando a todos o vai e vem do centro da cidade. Mal acabara de alardear sua opinião ( não pedida por ninguém, deixa-se isto claro ),  observou uma equipe de TV se encaminhando para onde ele estava, e dela vinham olhares para ele. Estremeceu de nervoso ante a possibilidade de ter que dar uma entrevista. Falaria do que, sobre o que? Polidamente o repórter perguntou-lhe sobre a possibilidade de conceder a entrevista, acalmaram-no quanto ao teor das perguntas e quanto a possíveis erros, não sem antes anotarem seus dados. Alguém contou: “- 4, 3, 2,1 ! ao vivo”! Aquilo o fez gelar. “– O Sr. Considera o propósito desta passeata justo ou injusto?”

        Aristides fez aquela cara de “me gela”, recorreu a Santo Antonio e a mais uma dúzia e meia de santos que lhe passavam pela cabeça, sem saber o que responder. Logo ele, discutidor nato, observador atento. Mas aconteceu que, de canto de olho, deparou com um cartaz portado por alguém da passeata que dizia: “Viva Dominich Doiatzvoski” Aquilo foi como que um tiro no estomago, o destrancar da fechadura! Desatou o nó que prendia a sua língua, e num desatino só, começou a enumerar as peripécias que um pobre cidadão é obrigado a enfrentar para chegar à cidade e em seu emprego, para dali tirar o seus minguados caraminguás; este pobre cidadão então,  se depara com aquela manifestação a favor de Dominich. “ – Mas, ora, quem é DominichDominich que vá a merda!” soltou, sem dar tempo do repórter cortar, ou de alguém interferir no som, que foi ao “ar” na TV. Claro que abruptamente encerrou-se a entrevista, mas ele gostou. Repetiu ainda umas duas vezes “ Domenich que vá a merda!” Afinal quem seria Dominich? Perguntou a alguns retardatários quanto ao personagem, mas até eles se abstiveram: “ - Não sei, quem?”  Então para que seguiam, o que seguiam e o que reivindicavam? Cada um falava por si, protestava ao seu modo,  em seu mundo? "- Ah! É contra o Ministro Falácio Destrouba, disseram os últimos dos últimos da passeata!" " - Quem?"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Copacabana e o Ano Novo

                             foto Amilson Ferrari


-Não acredito....
- Te juro...
- Não acredito, como é que pode? E o tão propalado caos aeronáutico, e a incapacidade aeroportuária,  a falência das agências controladoras, a desorganização do metrô? Como é que você consegue sair de Buenos Aires no dia 31/12/2012, no voo das 14:45 hs, sendo que às 15:05 hs você ainda estava a caminho da plataforma de embarque, e chegar em Copacabana às 22:00 hs, a tempo de festejar o Ano Novo?Como?
- Pois é...ainda passei em casa...
- Coisas estranhas acontecem neste país; aeroportos, metrô, táxis funcionando; 1 milhão de pessoas, milhares de guarda chuvas, tudo e todos com ótimo comportamento e  funcionamento excelente: PMs solícitos, guardas municipais que além de solícitos, estavam munidos de mapas para o auxilio à turistas, risos mil, tranquilidade dez...Mas eu me confesso, me molhei e me esgotei demais, além de não poder contar tanto com esta sua sorte. Ano que vem eu fico em casa mesmo....ou em Buenos Aires.

        Feliz 2012, de novo, novamente!