quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sana

        Ano Novo de novo novamente. Mas somente até domingo, que segunda feira nos deparamos mesmo é com o que fazíamos no bom e velho "ano velho": trabalho, estudos, obrigações, etc. Mas é natural. Como é natural esquecer o " Conto de Natal " do LIVRENTARIO. Não é uma obrigação. Isto posto na mente, esqueci completamente desta natural complementação do ano. Não sem motivos, muito cansado, e esquecido de tantas outras coisas, viajei para descansar. Fui para Sana, 6º Distrito Rural de Macaé, 160 Km do Rio de Janeiro, sem celulares ( não há sinal ) sem trânsito ( fui para a pousada Fazenda Bom Viver, distante 3 Km do centro de Sana ) sem pressa ( a estrada não permite ). 
        Mas as Cachoeiras do lugar, a fama que detém e carrega, a origem do nome ( há tantas origens...) estas, já estão descritas e reescritas dezenas de vezes na Internet. Só parei para falar de Sana, do lugar, por causa do Rio Sana, e da brincadeira que empreendi neste rio: jogar água um no outro. Ah! fazia era tempo que eu não praticava este glamoroso esporte! E contra duas crianças, aprenda, não se ganha. Eles nunca se cansam. Após a "surra", extenuado ( na foto, o exato momento da derrota ) tive que descansar. Tomar banho de rio é bom demais.....

                                foto Cida


        Em um lugar como Sana, basta ficar parado admirando a paisagem ou, deitado num rio admirando a paisagem ou, somente admirar a paisagem.

                                foto Amilson Ferrari


         Não tive excelentes idéias para o trabalho nem para o Livrentario enquanto estive lá. Rato de cidade, acabei sentindo falta de alguma coisa aqui ou ali, embora a Fazenda tenha acesso à Internet. Mas a partir de agora, marquei na agenda, fico devendo ao rio Sana, a oportunidade de poder sempre rever, eu, largado.

                                foto Cida




       Feliz Ano Novo!Feliz 2012.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Futebol

        

        Pediu a bola insistentemente. Deu carrinho, trombou, sambou quando fez o gol, e se desesperou quando tomaram um. Alegrias e tristezas do futebol, mas por hoje, não teria adversário que lhe fizesse páreo. Insatisfeito, calou-se quando fez falta dentro da área. Mas se irritou, e desandou a reclamar, com o pênalti não marcado ao seu favor.
        Sem saber como e nem por que, lembrou-se da faculdade medíocre, 2  anos  em Administração de Empresas que nunca terminara. Serviram para que?  Nem antes, nem depois. E a ex esposa, serviria agora? Ex esposas não são para toda a vida? Ex, ex vampiras, ex minhas, ex dos outros, ex amantes, ex amigos, são tudo o que você carrega, sua história de vida. Mas não me facilita agora, nem permite que você saia por aí contando tudo a todos. Ninguém se interessaria. E de repente a sua vida nada mais significa! O que fez, o que deixou de fazer, puff, somem! Tomou a bola do zagueiro, e partiu confiante, rumo ao gol desprotegido....

        O médico afirmara categórico: seis meses, assim mesmo, " - caso o senhor obedeça as minhas determinações". Determinações? "- Quais?" “– Ah! O senhor sabe....não beber, não fumar, parar de jogar bola ou qualquer outro esporte, sexo muito...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Capitão Papy Poppy

      
        Dotado de extrema simplicidade e delicadeza, com uma linguagem direta para as crianças, o artista e compositor Adriano Souza, lançou seu CD  " Eu queria ter um foguete - Capitão Papy Poppy".
        Com uma produção bem cuidada e atraente até para quem não é mais criança, merece uma olhada no vídeo com a música de trabalho.  Merece os aplausos de todos nós. Valeu " Capitão"! Eu também queria ter um foguete....  

domingo, 9 de outubro de 2011

Outros contos, para quem não gosta de ler.

       
        Já que você não gosta de ler, inverto a perspectiva, e o leio. Não as palavras em si, não surtiria, para quem as palavras não trazem feitos. Leio então, eu mesmo, você! Você aí, que me olha com desdém. Não acredita no que lê, ou nem sabe o que esta lendo? Não se preocupe, 90% das pessoas não sabem sobre o que estão lendo, até que cheguem no final. É bom isto, não é? Permite que continuem lendo algo que normalmente não leriam. Mas é um truque do autor. Outro modo de criarmos a curiosidade é o sub título, que as vezes não consta do texto, mas é o chamariz, o convite à leitura. Como isca, utiliza-se também a introdução não tradicional, para que o início do texto não se confronte com o fim, nem sopre as características de seu final. E que o decorrer desta leitura, disfarçada de olhadela, não se transforme em um martírio. Outra coisa que funciona a contento, é a assinatura do autor. Em caso de ser uma celebridade, aí é que lêem mesmo, tudo, mesmo que continuem sem saber muito bem para que! Bem, a assinatura que tenho é esta mesma, não soma nem apavora.
        Ora, ler é uma atitude, uma ação, diferente de pensar, claro. Embora os melhores textos, o façam pensar após serem lidos. Isto posto, não percamos tempo com algo que nos quinze minutos após lermos, não nos lembraremos. São apenas pesquisas, porcentagens, somente isto, e que foram inventadas por mim. Positivamente, passam um “ar” de seriedade e verdade.....
        Por isso hoje eu lerei meus leitores, agora! Para ficar mais interessante, começarei com você mesmo, que começou a ver estas palavras. Hum... vejamos, rosto bonito, brilhoso, mas precisamos cortar este cabelo, não acha? Calma, você não está maluco não! É com você mesmo que eu estou falando. Cortar este cabelo, te deixará com uma cara mais bonita, mais inteligente. Reflita: quantos já te pediram isto? Aha! Te peguei olhando a contra capa. Sou eu mesmo falando com meu leitor. Reflita sobre o cabelo. Voce é engenheiro? Adivinhei, não? Foi o seu jeitão. Deve ter uma história bonita por trás disto. Ocultas, todos trazemos boas histórias, especialmente quando as contamos com bom humor. Conte um pouco da sua, conte! Nada? Nem um tantinho de curiosidades? Tem nada não. Entendo, não quer aparecer. Continue assim, mas permita-me acelerar, há vários me esperando para que eu os leia um pouquinho também. Enquanto isto, corta este cabelo. Cabelo é moldura de um rosto, e no seu a moldura esta maior. Aproveite, que nem moldura mais eu tenho....

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Primeiro Ano

        Parabéns pra voce! Primeiro Ano! Viva! A bem da verdade, um ano e tres meses, mas contando do registro do nome, estamos completando o primeiro ano. Que bom conseguir manter este projeto neste pequeno/longo tempo. Pequeno tempo, contando-se entre o projeto em si e a implantação; e o longo tempo que demanda realizar este trabalho, um processo ainda não totalmente incorporado ao Amilson Ferrari escritor. Agradeço as citações com apoios, os carinhos e as maldades, que não faltaram, mas todos eles foram bons e tiveram seu lugar, auxiliando nas criações.
        Fiquei meses sem dar as caras aqui: minha vida está um corre corre danado! Mas a produção não secou. Voltarei a postar meus contos, cartas e rabiscos que nasceram, nascem e nascerão nesta cabecinha que Deus me deu. Um pouco mais encantado e um pouco mais desencantado. O desencanto vem dos poucos comentários recebidos. Atesto que há um bom acesso e leitura do blog, mas poucos ou nenhum para os contos. Desinteressantes? Preguiça? Mas é tão bom escutar comentários. Especialmente de quem  conheço. Com o livro, isto já não ocorre, Sempre há um retorno do leitor, mesmo que pequeno, incorrem em um palpite, dúvida ou satisfação. E isso já me instiga a escrever uma continuação.
        Dizer que não me importo com a falta de comentários seria uma mentira. Mas vamos mudar isto, se não pela simples razão da leitura fermentado por um pouco de marketing,  que seja pela pura emoção. Mas até aí nada muda, e nada impede  a vontade e a criatividade.
        E encantado estou, cada vez mais, com este trabalho; seja escrevendo, seja coletando no dia a dia histórias banais, de personagens que nos rodeiam com seus absurdos ou com prontas respostas para este mesmo dia a dia, acontecimentos contemporâneos, repetentes e diários ou, exclusivos e raros e, docemente encantado ao ler um naco da carta de Carlos Drumon de Andrade à sua filha, com um conselho simples, mas direto: " - minha filha, escreva!" 
      Escrever me encanta e, ao conselho deste poeta, conceda-me a licença Maria Julieta Drumond de Andrade ( escrevem agora junto de Deus ), em direciona-lo, encantado, para mim.

        " Encantado com a notícia de estarem a caminho duas crônicas. Espíche-as um pouco, daqui por diante, e sairão no " Correio" , onde sinto falta do seu nome. Escreva, minha filha, escreva. Quando estiver entendiada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva, mesmo bobagens, palavras soltas, experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos, descreva como exercìcio o degrau da escada de seu edifício ( saiu verso sem querer ), escreva sempre, mesmo para não publicar e principalmente para não publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras primas, que de há muito eu já perdi, se é que algum dia a tive, mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontra em si próprio sua justificação. Isto é muito melhor do que traduzir Proust, distração que não distrai, porque é chata como toda tradução, e acaba nos desculpando muito fracamente perante a nós mesmos de não havermos escrito por nossa conta e responsabilidade."

                               Transcrito de O Globo, 20/09/2011 - Carlos Drumond de Andrade.



    

domingo, 24 de abril de 2011

Cartas III

                                                Foto Amilson Ferrari - Parque da Pedra Branca 


        Desliguei o telefone e o computador. Do telefone não saíam palavras inteligíveis. Ele, o telefone, não falava comigo, ou intrigante, apenas não me contava o que não sabia.  No computador, parecia que todos teclavam ao mesmo tempo, não tinha como me expor, muito menos me fazer entender. Assim como fazemos com as pessoas, se não há o que dizer, ou não se quer dizer; se ninguém responde ao que se pergunta: vire-se vá embora; ou desligue os aparelhos...

        Isso! Escreverei então uma bela carta. Meiga, expondo os motivos, explorando o que temos, o que sonhamos...Essa você lerá, com certeza. Quase todas as pessoas que conheço me aconselhariam utilizar um computador, uma impresssora, e-mails, " - Celular é melhor. Escrever?, trabalhão!"
        Me armei de tudo, qual uma aranha preparando sua teia, e lhe escrevi. Já que pessoalmente não conseguimos nos falar, nem nos comunicar pelo telefone ou computador, escrevo.
        Os e-mails, gmails, MSN's, são rápidos, Yahoooooo! Mais rápidas são por vezes as respostas monossilábicas, e suas silenciosas consequências, gerando estrondosas intrigas, incluindo-se aí generosos intervalos." É...fui...vou...quê?..." Ora andando entre o banheiro e a TV, ora passando-se apressado entre o lavabo e a cozinha, responde-se as perguntas como quem não gosta delas, pergunta-se com respostas, responde-se com perguntas, ao mesmo tempo marca-se e desmarca-se os encontros, ignora-se o presente. O passado, vemos no Youtube. Lá tem os nossos flash backs; flutuamos em nossas lembranças, ou as odiamos.  Mas não somos profissionais do vídeo: "- Corta! De novo, por gentileza! " O que fizemos, gravado está! Talvez pelo tempo juntos, as ignorâncias, as queixas, as testemunhas e os testemunhais,  as desconsiderações e as mentiras pululam em nossos discursos. Passa tudo tão rapidamente entre a tela e os olhos, que perdeu-se o que eu disse. "-Eu disse isto? ", em qual blog? O que mesmo eu queria dizer não faz nem meia hora? Pera aí, o que é que estou dizendo?
        Uma carta! Lentamente pensada, uma escrita trabalhada e norteada; não teclada a esmo, em servidores a kilômetros de distância das nossas atitudes, das nossas demandas,  atrás de um emaranhado de linhas de comunicação e satélites, ecoando em várias telas e HD's estranhos a nós, desrespeitando as nossas distâncias e implicâncias, suas estranhas e intragáveis atitudes, meus terríveis e desagradáveis humores. Você os vê,  mas voce não os lê! Ou seria o contrário? Agredimos, mas não sangramos.Vemos mas não sentimos. Enguiçamos mutuamente em um silêncio provocador. Envio então a carta, por um portador amigo, de ambos, não quero feridos. Quero ver se não chega! São as minhas considerações, minhas desculpas, alguns motivos. Chegará, lenta, mais lenta que conexão discada.
       
        Escrevi e enviei; e como resposta ao seu demorado silêncio,  brilha em minha tela a sua resposta. Eu sabia que era assim que ela viria, embora tenha acentuado na missiva: " leia direito, pare! pense antes de responder, não responda nunca, nunca meu amor,  pelo computador"; de nada adianta. Sinto-me um velho idiota e assoreado. A resposta resplandece em letras maiúsculas na tela do meu Big-Tec-Net: "- me esquece!" Tá bom, te esqueço e desligo. Não o computador ou o telefone, desligo de você e dessa história. Infelizmente nos veremos,  no Youtube, na rede, e para todo o sempre, na memória.
       

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cartas II

    foto: Amilson Ferrari
        
 ( Rio das Ostras )
                                                                                                                                   
        Quisera poder lhe falar com mais afinco, com mais alarde, mas num processo em que voce se voltasse, suavemente me procurasse, contínuo.

        E oportunidade tivesse, e me fosse dado a escolher qual dos seus sentidos moldar, para com isso me servir? Não escolheria a visão, catalisadora de todos os outros sentidos, e muito ciosa dos seus grandes feitos, observadora atenta dos meus pontos fracos, flerta tranquila com os meus tinos e desembaraça os meus pedaços.

         Tampouco mexeria na voz. É baixa; às vezes nem a ouço, mas é falta de esforço. Gosto dela, maviosa, terna, suave, se emite um grave, cuidado! Estamos em desacordo.

        Gosto de te acalmar com cascatas de sussurros em teu ouvido, emoldurar o princípio de um novo instante. Sermos um com o outro, uma soma, não um mundo a parte, mas a fina parte de um novo mundo; sem nós nem bravatas, sem o certo e o errado, sem estacas nem vampiros.

        Seus dedos em mim, é parágrafo à parte. Se dedicam à exaustão na arte de golpear-me.  Não sou oponente a isto: visito céus e infernos, uma, duas, ou mais obedientes horas. Em mim é fraco o regolpeio, porém sou disposto e fico exposto. Me ocupo disto com afinco, sem preconceito.

        E o faro de Leoa? As vezes sinto-me caçado. Preparo armadilhas, não para deter, mas para atrair mais e mais a fera. E o que capturo? A lebre. Que a roupa de fera escondia, mas com jeito, o cheiro de mulher a revela. 

         Em qual sentidos interceder? Queria a todos um pouco mexer, mas com isso poderia assusta-la! Temo escolher errado, mexer em demasia, e algo que não vês, nem tocas; nem exprimes, nem cheira, nem ouves, nem roça, de repente desaparecer! Temo que falte a faísca que o encontro nos provoca. Temo te amar sem que estejas aqui. Dizer eu te amo,e ficar sem resposta, falar sem que ouças, fantasiar sem que vejas, sonhar sem que eu possa. Destampar o precipício que traga o que dentro de mim me falta.
         Vago pelos seus sentidos, atento, mas não quero mudanças, quero sua atenção e outorga. Quero mais que tudo, é estar ao seu lado, em cima, em baixo, inteiro, perto; feito unha e carne, recheio.




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