Já que você não gosta de ler, inverto a perspectiva, e o leio. Não as palavras em si, não surtiria, para quem as palavras não trazem feitos. Leio então, eu mesmo, você! Você aí, que me olha com desdém. Não acredita no que lê, ou nem sabe o que esta lendo? Não se preocupe, 90% das pessoas não sabem sobre o que estão lendo, até que cheguem no final. É bom isto, não é? Permite que continuem lendo algo que normalmente não leriam. Mas é um truque do autor. Outro modo de criarmos a curiosidade é o sub título, que as vezes não consta do texto, mas é o chamariz, o convite à leitura. Como isca, utiliza-se também a introdução não tradicional, para que o início do texto não se confronte com o fim, nem sopre as características de seu final. E que o decorrer desta leitura, disfarçada de olhadela, não se transforme em um martírio. Outra coisa que funciona a contento, é a assinatura do autor. Em caso de ser uma celebridade, aí é que lêem mesmo, tudo, mesmo que continuem sem saber muito bem para que! Bem, a assinatura que tenho é esta mesma, não soma nem apavora.
Ora, ler é uma atitude, uma ação, diferente de pensar, claro. Embora os melhores textos, o façam pensar após serem lidos. Isto posto, não percamos tempo com algo que nos quinze minutos após lermos, não nos lembraremos. São apenas pesquisas, porcentagens, somente isto, e que foram inventadas por mim. Positivamente, passam um “ar” de seriedade e verdade.....
Por isso hoje eu lerei meus leitores, agora! Para ficar mais interessante, começarei com você mesmo, que começou a ver estas palavras. Hum... vejamos, rosto bonito, brilhoso, mas precisamos cortar este cabelo, não acha? Calma, você não está maluco não! É com você mesmo que eu estou falando. Cortar este cabelo, te deixará com uma cara mais bonita, mais inteligente. Reflita: quantos já te pediram isto? Aha! Te peguei olhando a contra capa. Sou eu mesmo falando com meu leitor. Reflita sobre o cabelo. Voce é engenheiro? Adivinhei, não? Foi o seu jeitão. Deve ter uma história bonita por trás disto. Ocultas, todos trazemos boas histórias, especialmente quando as contamos com bom humor. Conte um pouco da sua, conte! Nada? Nem um tantinho de curiosidades? Tem nada não. Entendo, não quer aparecer. Continue assim, mas permita-me acelerar, há vários me esperando para que eu os leia um pouquinho também. Enquanto isto, corta este cabelo. Cabelo é moldura de um rosto, e no seu a moldura esta maior. Aproveite, que nem moldura mais eu tenho....
A senhora! Que bom que me vê! Interessante lê-la após tantos momentos de indecisão sobre se abriria ou não este livro. Não acredita? Eu a vi um monte de vezes, passando para lá e para cá, de vassoura na mão ou, tirando o pó da estante, e sempre olhando com maior curiosidade, com mais intensidade. Fez mesmo menção de abrir-me umas “sei lá quantas vezes”. Pensa que eu não te vi! Mas eu entendo da sua desconfiança, era um livro comprado diretamente com o autor, uma obra caseira “ - não sei não, pensava. Será que é bom?” Pede-me um sinal, para que acredite que a vejo, quer a verdade? Ah! Geração perversa, mudam os anos, mas não as pessoas. Sem sinais, por favor. Simplesmente acredite que a leio.
Vejo-te bem agora, mas com um piscar de olhos, consigo avançar anos, aos quais você nem imaginaria. Sem compromisso com misticismos, e alegorias a parte, acredite-me: parece-me certo que você não embarangará. Talvez os anos de ioga tenham tido efeito, enfim, é melhor continuar. Os cabelos ficarão branquinhos, como seda, branca é claro, mas serão moda, não se preocupe. Também acontece, neste tempo futuro em que a vejo, que você verdadeiramente terá atitudes independentes, e maduras. Enfim, uma nova mulher. Com isto, atrairá e transformará o seu homem em um novo modelo, um firme companheiro e doce amante. Dessa união, prosperarão diversas e futuras famílias, integras e belas, contrariando alguns que tentavam “criar” uma nova sexualidade, e um novo modelo familiar. Um sinal? De novo? Quer um sinal? Olhe aí para o lado, é seu maridão. Você que o escolheu, lembra? O pensador dizia: ” a liberdade que gritamos nossa, somente nos permite escolher a própria prisão” . Esta é tua, ninguém tasca. Não vale pular capítulos. Nem a bibliografia. Até logo.
Vamos, vamos, tem fila! Um cachorro. Socorro, tem um cachorro me mordendo!! Ah! Obrigado madame! Como? Ele é treinado para trazer os jornais? Mas madame, que perigo. Vai que ele não gosta da história, ou do formato, ou do gosto!! Nunca fez? Tenho medo é disto...Conheço pessoas que cheiram os livros, e existem aqueles que o comem, metaforicamente falando, mas cachorros?
Então vejamos esta minha nova leitora vertida em minha leitura. A senhora, madame, não o cachorro. Olhos, que olhos! Sinceramente, com olhos assim, nem precisaria treinar um cachorro para buscar as coisas. Por que não treina um bom marido? Hum! Entendi. Já treinou. Em que? Sei....sustenta a casa, não é? Muito bom. Nunca leu um livro? E nem lerá este. Este não se lê, é uma cabeça de poço, com uma fartura de água ao fundo, um sustentáculo do vazio do ser, em detrimento ao ser que és, sem nunca ter....deixa pra lá, mostre-se toda, para uma melhor leitura. Sinto que você está se escondendo de mim; gorda? Se for, não se nota. Mas é o caso, treina-se o cachorro para apanhar jornais e livros, um marido para fazer a gosto todo o resto, acaba-se não queimando as calorias necessárias.
Não gosto de despedidas, mas a fila já alcança um quarteirão. O sucesso me oprime, madame. Sou um só, nem sei de darei conta. Vamos lá, vamos lá, não chore, não chore, firme! Esqueça esta parte das calorias, que eu lhe falei. Lembranças ao cachorrinho... Tudo se dará, ao seu tempo, mas nunca a um só tempo. Calma.....
Ok! Vamos lá, você! Faltava justamente você. Como é mesmo o seu nome? Deixa pra lá. Não me importa. Sei para o que veio. Criticar-me. Um crítico era o que faltava. Como? Não acredita que alguém se preste a fazer uma boa leitura de seus leitores? Mas veja só, é o que me basta! Acaso sou o editor? sou o crítico ou o leitor? Posso sim criar esta novidade. Pois não que não posso. Estilo? Como assim, me pedes um estilo? Airoso, anárquico? Como desejaria? Vade retrum! Em que posição estás para que o mandes criticar em outro lugar? Basta que me abram, e já serei digno de retalhá-lo em mil pedaços, e serei maior do que realmente sou, ou do que fechado seria. Posso ser de papel, como posso ser de plástico, informático e genialmente virtual. Posso recriar-me ao bel prazer. Serei eu a permanecer, ou famoso, esquecido ou perdido, não sei. Quanto a você, suma-se daqui, filho de quenga! De quenga não, que a quenga não merece. Malfeitor! Perfeito. Malfeitor, pois não fazes nada que não seja o mal, e sempre por cima dos feitos de outrem. Malfeitor.....escuta.....há vozes em teu ouvido, não ouves? São dos escritores desesperados, esperando que escrevas mais sobre os entendimentos que prescrevem, que dos seus próprios sentimentos arrazoados. Espera..o que esta fazendo...espera,puxa! Que ódio! Eu retiro, pelo menos a parte do malfeitor, espera, fogo não...isto é covardia, não é assim que se analisa um texto, seja bom ou ruim, pare, eu lhe ordeno! ah, é? Pois então toma, segura isto.....” - Arde em chamas não as minhas páginas, e sim o meu coração, aflito que estava, pois sabia que teria que lhe divisar perante meus olhos, acaso tivesse jubilo. Não vejo a ti apenas, vejo também a tua alma e o quanto se apequena, quando tenta me expor ao ridículo, e com isso, pensa que muda o curso. Como és invejoso, posto que é meu vício escrever, e não o teu. Pune-me e incendeia aquilo que já é efervescente, destrói cada capítulo escrito, feitos com o carinho de uma mão e mente inocentes. Planeja esta queima, como se pudesse com ela, eliminar o instante do escritor, o conluio com seu leitor. Assemelha a tua ação ao raciocínio ignorante: se não gostas, ninguém então o lerá! Antes, seja crítico do seu destino, do que do meu livro que o atormentou”.
Vinguei-me escrevendo, melhor do que xingando. Infelizmente, terei que editar outro livro. Prejuízo! É o que sabem dar os críticos. Aos leitores, se tiverem calma, esperem na fila. Esperem! Calma! Essa gente dispersa rápido, não tem saco para a leitura nem para serem lidos. Basta um criticar, e lá se vão todos .....os leitores.....
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