A tropa se posicionou com os soldados começando a bater ritmadamente os seu bastões contra os escudos. Não se mede o medo que dá, nem se mede a coragem desse enfrentamento. Tem que ter é união, Por que um sozinho na frente não adianta, e nem ele aguenta. Deem os braços, deem as almas, e aguardem pela chegada de contra ordem de algum juiz, ou do perdão dos poderosos, por que agora nada os convencerá ou conseguirá detê-los. “ - Não tem ideologia nem patrão, berravam, tem é ordem judicial! Sabem lá o que é isso? O-r-d-e-m j-u-d-i-c-i-a-l, toma lá, na cara! A quem vocês servem? A quem?”
Serviam a quem então? Entre olharam-se...a quem? Eles mesmos? O que seria importante agora, as atitudes e os gritos? Quem era contra, quem era a favor de tal situação? O sol a pino ao meio daquele dia. Do chão de terra subiam densas nuvens de calor, variando o olhar e avariando os olhos. ”- Quem? Quem coordena? gritavam alguns., Eu ! Eu! Sou eu! Vamos por ali! Ali!, gritavam alguns, enquanto todos corriam para todos os lados, sem direção. “ – Não pode passar! Gritavam outros. Tocaia, tocaia aí!! Tão chegando, Oh! Tão chegando!
Eram de temor os rostos. Guerreiros? Longe disso! De sacos cheios, lotados de rancor e sentimentos ruins, cansados da intolerância, desmazelo, estupros e assaltos sem fim e sem solução.
“ - Que venham! Que venham! Então tá, fogo, fogo, taca taca fogo aí!
Crianças gritavam, adultos gritavam, soldados gritavam. Muito cacique e quase nenhum índio. As balas no inicio eram de borracha, achavam...! Bate daqui, bate dali, para cada enxadada desferida, 10 tiros, dez porretadas! Brigar com o que? Os dedos em frangalhos, os braços rente ao corpo cansados. Corre! Corre! Debanda, não debanda nada, enfrenta. Eram tiros? “ - É festim, é festim! Festim? Era covardia. E a sede, a angustia, a fome. “ - Tem criança, aqui, tem criança...” que nada. Agora tudo é gente, e gente é tudo igual. Bunda é tudo bunda, então toma lá! Perdiam as mulheres os seus filhos, as crianças suas mães, o homens seus orgulhos que caíam sem fôlego e certezas, sem entender a derrota, sem nada a fazer a não ser cair. Cair era mais fácil. Já não era festim, com certeza, nem borracha, nem orgulho ferido, nem briga pelos direitos herdados e negados. Agora já não era mais festa, nem era fim de semana. Perdiam os direitos mínimos que ainda tinham de se esticarem na cama, de beijarem–se em jogos de amor e flertes. Perdiam o direito de acalentar os seus, de pedir benção a pai e mãe. Os bárbaros agora eram aqueles que trajavam uniforme e tinham documento de autorização dados por quem se dizia o governo. Mas e o desgoverno, eram eles?
O destino sonhado não era nada parecido com aquele.”- Tira daí, tira eles daí! Tem criança, não atira, tem criança; meu Deus!” E Deus? Ah! Como rezavam e gritavam pelo seu nome, esquecendo que Deus já estava presente, recolhendo os escolhidos para si, quando enfim descansariam daquela vida de cão e lotada de maldades; apaziguando os corações que pendiam sôfregos no peito, afofando o solo para que a queda fosse menos doída. Não escolheram a vida que levavam, sendo assim, não poderiam escolher a morte que os levariam. Como gente é tudo igual.... a quem...a quem servimos?