domingo, 15 de abril de 2012

A morte em vida, é uma vida de morte.

     
     *  Morreu! P@#@$, e não me pagou! Ou seja, morto não leva tesouros, mas também não leva dívidas. Dever é a morte de todos os dias....
       
        *  Desconfiou da vida, a vida desconfia do desconfiado, e leva, pois a morte não desconfia, enfia no coitado.

       *  Em todo o lugar vive-se e morre, mas no hospital, isto é levado muito a sério. Quando tem fila, não tem médico, quando tem médico, não tem remédio. Sério! Tem-se que ter saco, e uma saúde de ferro!

      *  Viver é morrer um pouquinho a cada manhã. A noite, dormir, que amanhã esse pouquinho é certo.
       
      *  Viver é desperdiçar o tempo em tentar evidenciar a todos a sua alegria em viver, e poucos prestam atenção.
 
      *  Morrer é fechar os olhos ao gostoso  do dia a dia, e viver perseguindo o que não se levará, quando a morte te visitar.

      *  Morrer é todo o dia, viver é cada minuto, olho para o céu e pergunto:  - Quando é que morrerei? – De pronto ecoa uma voz: amanhã! - Amanhã? Amanhã é cedo! Desconfio dessa urgência, por que não na terça, ou melhor, na quinta, até lá dará para viver mais um pouco. Adie então sua vinda!
        Ao que replica a voz, com extrema seriedade,  indicando ao apelante, sua falta de sorte:  - Se não viveu bem até hoje, melhor é te levar agora, para não calhar que, por algumas horas já perdidas, aprenda a gostar desta vida, só por que tens medo da morte!

       *  Morrer depressivo é triste....Viver depressivo é a morte.

      *  Triste é viver se achando, ou ser encontrado morto?
       
       
      *  Quando se deita para sempre, o rosto muda. As chapinhas perdem o efeito, o anti rugas enruga, a lingerie não combina, as próteses dentárias,  mamárias, oculares, ortopédicas, penianas, capilares, siliconadas, emborrachadas, parafusadas, pinadas,  enxertadas e muitas vezes ainda não pagas, também morrem. Se perde  tudo, e nada vai para o brechó! No brechó, algumas mobílias e apetrechos ainda se sobre utilizam, mas as próteses morrem com os seus donos. Do morto, nada se aproveita.

      *  Morrer é a chance de se ver o que tem do outro lado, e quando se sabe, é a morte não poder vir contar a ninguém!
       
      *  Morre, morre, morre... disse o velho modorrento para a mosca irritante, e ela continuou vivendo, apesar das ameaças do claudicante.
           O esforço, porém, não o poupou. Acharam-no caído, com várias meias palavras travadas entre a dentiça e o assoalho. Quando a abriram, saiu-lhe novamente a voz: morre, morre, morre... obcecado este coitado!

      * Viver é estar do lado dos vivos, enaltecendo os mortos. Morrer é ficar assombrando os vivos, mesmo sem querer, por que vivo adora um morto. Vai entender....  

      *  A morte esta bem aqui ao lado, fingindo que não te quer. E você sabendo da sua presença, finge que ela hoje não vem. Ambos se conhecem, como quem!  Um protagonista, o outro, arte finalista. Mas estabilidade no emprego, só a morte tem.
       

      *  A morte é sempre estúpida, mas é uma visão de quem vive.  A morte é o rejuvenescimento das espécies, o ponto final das inquietudes, o manejo sustentável da natureza aflita, a fim de preservar a vida.


      * “ Viva!”  dizem os espectadores. “Morte!” dizem os espectadores. Uns no teatro de luxo, outros no Coliseu de Roma. A cada público, após a faina, um palco distinto ou um circo de lona.  

      *  Era uma celebridade em vida. Lugares, cidades, hotéis e bares que freqüentava viravam moda e lotavam. Suas roupas, adereços e estilo ditavam a moda, copiados à exaustão. Até as pegadas eram conferidas, medidas, gravadas e louvadas. Quando morreu, era como se continuasse viva. Continuou celebridade, continuou sendo seguida, ditando moda, e lotando os lugares. A única diferença é que faturava muito mais.

       

        “ - Disse Jesus: um homem rico tinha muitos bens. E disse: vou aproveitar os meus bens; vou semear, plantar, colher e encher os meus armazéns, a ponto de não ter falta de nada. Foi isso que ele pensou em seu coração. E nessa noite e ele morreu. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
                                 
                                                “ Jesus Cristo, evangelho segundo Tomé”