segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Diga meu pai.

                   

         Ah! Que bom que viestes! Senti tanto a tua falta! Diga-me lá então, como andas, com quem andas, diga o que vê, cheira ou toca agora, ou por ora, não diga nada.Abrace-me, forte como um touro, que era assim que eu lhe tinha! Agora sim, diga e fale sobre coisas que possamos sentir juntos tal como antes, tal como a maresia  de um final de tarde, ou o do vento que farfalha as folhas revigoradas pelo vento. Diga o que olha neste exato momento, diga as cores, o formato, sua harmonia ou sobre a curiosidade que provocaria.

        Diga, conte-me  tudo, e nada esconda. E o sol? Ah! Continua lindo, não é? Eu o sinto, mas fale dele, fale você!. Está alto? Brilha com muita intensidade? Reflete aonde, em quem, qual distância? Fale mais, sinto o cheiro de flores, a dama da noite? Sinto também um adocicado no ar? É mel? São elas, tantas flores, quais?  Em sua infância nos campos eram tantas assim,  nos prados passavas por elas? E o mel de favo, o mel de lambuzar, de adoçar uma criança!

        Vem, vamos caminhar juntos novamente. Segura minha mão como antes, envolve e aperta. Quero te sentir, preciso tanto disso. Me fale do mar, está  calmo? Diz, me ensina, vai!  Fale dos homens e das mulheres que conheceu, são muitos? Conheceu-os bem? São amigos, são teus ou são do mundo? E suas viagens, seus aviões e seus vôos. Deixe-me vive-los também, voá-los, e ir com você aonde já fostes, e pairar nas nuvens, tocá-las. Diga o caminho, qual é o caminho, e quanto tempo ainda caminharei. Fale dos modos, dos sorrisos, das  esquinas e das ruas da sua infância, de suas aventuras e desventuras! Explique-me de novo como funcionam estes sinais, estes cruzamentos, estas passarelas, suas escadas e passagens, por onde vai a minha vida! E os  parques, estão tão belos quanto eram no seu tempo? E as tardinhas, ainda estão magrinhas, ou já são esplendorosas tardes de verão?


        Diga, fale das crianças, dos seus netos, fale mais, me conte, me impressione, me mata a saudade meu pai,  corrompe o medo que sinto, com teus conselhos! Combate a minha solidão com tua companhia, o meu pesadelo com a tua presença! Me explica onde estás, por que fostes embora, por qual motivo; para onde eu vou, e como vou, meu pai, repete tudo de novo, por que eu não entendi direito! Eu não entendi nada, eu ainda não sei de nada, eu ainda não me convenci, meu pai, que não estás aqui conosco, e o tanto que me incomoda a tua ausência.   


Um comentário:

  1. Que seu pai responda seus questionamentos e afague a sua saudade. Porque ele está sempre junto a ti. Te amo.

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