Ah! Que bom que viestes! Senti tanto a
tua falta! Diga-me lá então, como andas, com quem andas, diga o que vê, cheira
ou toca agora, ou por ora, não diga nada.Abrace-me, forte como um touro, que
era assim que eu lhe tinha! Agora sim, diga e fale sobre coisas que possamos
sentir juntos tal como antes, tal como a maresia de um final de tarde, ou o do vento que
farfalha as folhas revigoradas pelo vento. Diga o que olha neste exato momento,
diga as cores, o formato, sua harmonia ou sobre a curiosidade que provocaria.
Diga, conte-me tudo, e nada esconda. E o sol? Ah! Continua
lindo, não é? Eu o sinto, mas fale dele, fale você!. Está alto? Brilha com muita
intensidade? Reflete aonde, em quem, qual distância? Fale mais, sinto o cheiro
de flores, a dama da noite? Sinto também um adocicado no ar? É mel? São elas, tantas
flores, quais? Em sua infância nos
campos eram tantas assim, nos prados
passavas por elas? E o mel de favo, o mel de lambuzar, de adoçar uma criança!
Vem, vamos caminhar juntos novamente. Segura
minha mão como antes, envolve e aperta. Quero te sentir, preciso tanto disso. Me
fale do mar, está calmo? Diz, me ensina,
vai! Fale dos homens e das mulheres que
conheceu, são muitos? Conheceu-os bem? São amigos, são teus ou são do mundo? E
suas viagens, seus aviões e seus vôos. Deixe-me vive-los também, voá-los, e ir
com você aonde já fostes, e pairar nas nuvens, tocá-las. Diga o caminho, qual é
o caminho, e quanto tempo ainda caminharei. Fale dos modos, dos sorrisos, das esquinas e das ruas da sua infância, de suas
aventuras e desventuras! Explique-me de novo como funcionam estes sinais, estes
cruzamentos, estas passarelas, suas escadas e passagens, por onde vai a minha
vida! E os parques, estão tão belos
quanto eram no seu tempo? E as tardinhas, ainda estão magrinhas, ou já são
esplendorosas tardes de verão?
Diga, fale das crianças, dos seus
netos, fale mais, me conte, me impressione, me mata a saudade meu pai, corrompe o medo que sinto, com teus conselhos!
Combate a minha solidão com tua companhia, o meu pesadelo com a tua presença!
Me explica onde estás, por que fostes embora, por qual motivo; para onde eu
vou, e como vou, meu pai, repete tudo de novo, por que eu não entendi direito!
Eu não entendi nada, eu ainda não sei de nada, eu ainda não me convenci, meu
pai, que não estás aqui conosco, e o tanto que me incomoda a tua ausência.
Que seu pai responda seus questionamentos e afague a sua saudade. Porque ele está sempre junto a ti. Te amo.
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