domingo, 10 de maio de 2020


                         MEU MUNDO

Ergui o sapato o mais alto que pude
E pisei nas estrelas com toda a minha força
Espalhei brilhos e purpurina por toda a casa
Aproveitei e mudei o lado da lua na sala.

Apanhei um pouquinho de areia de cada praia
Molhei as canelas em todas as águas
Mergulhei de cabeça nas cachoeiras do quarto
Inverti os ventos pelos 4 lados.
Aumentei o calor do sol um pouquinho
E coloquei pilhas alcalinas para durar mais
Toda a minha felicidade estava ali, no chão, espalhada.
Nela me embrenhei, dividindo por toda casa.

Mato, coloquei por todo os lados.
Satisfiz a terra, o rochedo e os sapatos.
Fiquei assim o dia inteiro.
Ouvi que tocavam insistentemente a campainha.
Era o vigia, tinha alguém reclamando do barulho que eu fazia.
Pedi um pouco de paciência, não se faz o universo sem algum barulho.
Quando achei que terminara, e dáva-me por satisfeito,
Vi que faltava um ser, um humano perfeito, para habitar e usufruir de tudo aquilo.
Foi aí que chegou a minha mãe, e vi que não faltava mais nada.
Naquele mundo que eu via, naquele mundo que eu criara.

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